Engenharia, Agronomia e Geociências a favor do desenvolvimento sustentável

Foz do Iguaçu, 01 de setembro de 2016.

Krueger_palestraO eng. civ. Joel Krüger, presidente do Crea-PR, encerrou as palestras magnas no último dia da 73ª Soea, debatendo sobre “Engenharia, Agronomia e Geociências a favor do desenvolvimento sustentável”. O coordenador dos trabalhos foi o eng. Francisco Antônio Silva de Almeida, presidente do Crea-GO.

Durante a apresentação, Krüger traçou um panorama de possibilidades para a elaboração de um projeto de desenvolvimento nacional em longo prazo e apresentou o papel dos profissionais no processo de retomada do crescimento, tendo como vanguarda o conhecimento técnico científico.
Entre as inúmeras variáveis, o presidente do Crea-PR destacou a ‘população’, cuja necessidade de serviços públicos, como transporte, habitação, fornecimento de água e energia, mobilidade urbana, saneamento, entre outros, impulsiona obras de infraestrutura. Ele também abordou a questão do ‘território’, exuberante no caso do Brasil, possibilitando inúmeras atividades nas áreas de mineração, exploração dos recursos naturais, preservação e sustentabilidade ambiental.

Citou ainda o papel do ‘Estado’ como gestor público, norteado principalmente pelo planejamento e controle dos gastos, mas com ‘recursos’ a fim de assegurar a capacidade de investimentos, visando atender a demanda por infraestrutura. Como última variável, pontuou a ‘inserção internacional’ – como o Brasil é percebido pelos demais países e o que representa em termos de mercado exterior.
De acordo com o palestrante, apesar da eficiência interna com as exportações, o Brasil tem um custo alto com logística, que não lhe permite concorrer com produtos estrangeiros. “Somos exportadores de commodities e matéria-prima com baixo valor agregado e importadores de tecnologia de ponta. São produtos importantes, mas seria mais rentável exportarmos aço, carros e aviões, ao invés de ferro e borracha”, disse.

Segundo Krüger, nos últimos 50 anos, o Estado brasileiro trabalhou para pagar a dívida pública. Tivemos alguns avanços, mas não solucionamos os problemas. A dívida é de R$ 380 milhões e a reserva de recursos internacionais está equiparada. No entanto, uma taxa Selic a 14%, inflação de 9% e um câmbio supervalorizado consomem os recursos e as possibilidades de investimentos.
O engenheiro apontou também o baixo índice de crescimento em relação a outros países, como consequência do desemprego generalizado, baixos salários, distribuição de renda concentrada na minoria e um sistema financeiro com alto lucro para os bancos, o que dificulta a expansão do mercado interno. “A renda per capita aumentou nos últimos 15 anos, passando de U$ 3,7 mil em 2000, para U$ 11,1 mil em 2010 e U$ 11,3 mil em 2015, mas ainda é mal distribuída. ”

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Krüger chamou a atenção para o risco da desnacionalização de setores estratégicos como o de siderurgia e de minérios, a exemplo do que aconteceu com as telecomunicações. Ele também reforçou a necessidade de preservar as indústrias nacionais, fazendo destaque à Petrobras, por sua importância ao país, principalmente nos setores naval e energético.

Adriano Comin
Equipe de Comunicação da 73ª Soea

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